Dentisteria

Trata das cáries com resina composta, da cor do dente e também da estética do seu sorriso. Os dentes devem ser tratados desde a infância para que a cárie não passe para os definitivos. A lesão de cárie dentária continua a ser a doença crónica mais prevalente entre a população.

Tratando-se de uma doença ubiquitária, embora com grandes variações geográficas, influencia desfavoravelmente a saúde geral do indivíduo, ao diminuir a função mastigatória, alterar o desenvolvimento e a estética facial, provocar perturbações fonéticas, causar dor e originar complicações infeciosas com repercussões locais e gerais.

Uma área do dente é definida como cariada quando a sonda exploradora resiste ao movimento e, após ligeira pressão de inserção, a base é mole e a cor opaca. As lesões interproximais desenvolvem-se ligeiramente para gengival da área de contacto e o seu diagnóstico precoce só é muitas vezes possível pela radiografia.

O desenvolvimento da cárie dentária resulta de um conjunto de fatores, cuja relativa influencia não está completamente compreendida e, aparentemente, varia consoante o indivíduo:

1. Susceptibilidade do dente
2. Microflora
3. Substrato
4. Tempo

O equilíbrio entre estes 4 fatores mantém a saúde.

1. Susceptibilidade do dente

Neste sector englobam-se anomalias anatómicas e morfológicas, alterações nas posições e alinhamentos dentários. Fissuras muito profundas, cíngulos pronunciados, apinhamento dentário, dentes em infraoclusão, entre outros.

A presença de aparelhos ortodônticos, próteses dentárias e mantedores de espaço, promovem a retenção de resíduos alimentares.

Outras alterações no desenvolvimento e mineralização do dente, como por exemplo, a hipoplasia de esmalte, ou mesmo uma deficiência da incorporação de flúor na superfície do esmalte, tendem a alterar a superfície e resistência do dente.

2. Microflora

Para que qualquer processo de doença aconteça tem que haver não só um hospedeiro como também um agente. No caso das lesões de cárie, o hospedeiro é o dente susceptível, e o agente uma bactéria cariogénica, organizada num biofilme a que se dá o nome de Placa Bacteriana (PB).

3. Substrato

Embora a presença de microorganismos cariogénicos seja importante, uma fonte de substratos tem que estar presente. Para o metabolismo da bactéria, os carbohidratos refinados, de preferência na forma de sacarose, são os eleitos. Convertidos em produtos ácidos, fazem baixar o pH da saliva, resultando na desmineralização do esmalte.

4. Tempo

Está já documentado que a ocorrência de cáries dentárias não depende tanto da quantidade de carbohidratos refinados, mas sim da sua consistência e frequência.

Os hábitos alimentares têm um papel extremamente importante. O consumo repetido de açúcares, usualmente na forma de snacks ou pequenos lanches, geram, constantemente, uma diminuição do pH salivar, despoletando episódios de grande susceptibilidade para o esmalte. A título de exemplo, alimentos como as batatas fritas e bolachas recheadas são mais “colantes” e potencialmente mais maléficas que refrigerantes, rebuçados ou leite açucarado.

O conhecimento da etiologia e fisiopatologia das lesões de cárie dentária permite compreender a importância do seu diagnóstico precoce.

O controlo da cárie dentária deve passar em primeiro lugar pela prevenção. Há que evitar novas lesões cativas, limitar o consumo de carbohidratos refinados, motivar para uma boa técnica de higiene oral e para a aplicação de fluoretos.